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Open Data on the Web: Workshop sobre Dados Abertos do W3C

Nos dias 23 e 24 de abril aconteceu em Londres, no Google Campus, o Workshop do W3C sobre Dados Abertos. Organizado pelo Phill Archer, em parceria com o recém lançado Instituto de Open Data (ODI) e a Open Knowledge Foundation, o evento teve como objetivo discutir, alinhar e pensar estratégias para o futuro do OpenData no mundo.

O primeiro painel já aconteceu “quebrando tudo”. Foram apresentados 4 papers, do governo britânico, do governo holandês, de uma pesquisadora da UNDP e de um pesquisador da IBM.

O tema foi “Open Data: Promessas e expectativas”

O primeiro a falar foi o John Sheridan, que é o Head of e-services no Departamento de Informações Públicas do Governo Britânico (OPSI). A fala dele foi toda centrada na idéia de que o movimento de OpenData e governo digital ainda está no começo. Fez uma comparação com a revolução industrial e defendeu que todos ainda estão tateando em como lidar com dados e em como trabalhar uma cadeia para eles, seja envolvendo governo ou não. A parte mais legal foi quando ele disse os governos só soltam dados para hackatons ou para aparecer na imprensa, mas esquecem de manter a cadeia de abertura de dados sustentável. Ele contou que o trabalho dele é garantir, através de leis e de práticas, realizadas ao MESMO TEMPO, que os dados sejam confiáveis (API’s abertas e certificadas) e contínuos (coleta estruturada, pensando na abertura desde o começo)

Mais: ouça aqui um podcast com o cara falando sobre isso.

A segunda fala foi da Millie Begovic Radojevic. Ela trabalha para as nações unidas e trouxe um experimento muito interessante com dados do Banco Mundial. Ela (que fez o PHD dela em análise de redes na internet) usou o Tulip, um software que ajuda no desenho de gráficos de relações e, cruzando dados da UNDP com os do Banco Mundial usando phyton para otimizar, conseguiu traçar informações variosas pro trabalho dela com nações em desenvolvimento. Nos slides dela, mostrou alguns exemplos que comparam o Brasil com a Venezuela e outros países, mostrando quantas empresas costumam receber financiamento para construir infraestrutura. Os resultados, que a gente que é brasileiro, já conhece muito bem, são impressionantes porque deles pode-se concluir muita coisa, além de utilizar como base para políticas de desenvolvimento, em termos de foco e gestão de recursos para países.

Mais: Aqui tem um post dela explicando tudo sobre o projeto.

O terceiro foi o Tim Davies. Ele atualmente é coordenador de pesquisa em Open Data na WWW Foundation. A apresentação dele é sobre como medir e observar para comprovar os impactos do Open Data na vida das pessoas. A preocupação dele é o uso do open data para solucionar problemas reais. O objetivo do projeto é pesquisar as diferenças de impacto e de contexto que existem entre os principais países do mundo para ajudar o movimento de Open Data a se tornar mais efetivo para os cidadãos e governos.

Mais: O blog dele é bem legal. Um dos projetos de pesquisa liderados por ele propõe criar padrões mundiais para contratos. É o Open Contracts, que faz muito sentido: em um mundo globalizado onde várias empresas prestam serviços para vários governos do mundo, nada melhor que padronizar para facilitar a prestação de contas e transparência envolvendo estes contratos.

O quarto speaker foi o Paul Suijkerbuijk, que é o Project Lider no portal de Open Data da Holanda e Ministry of Internal Affairs/KOOP. Falou sobre confiança nos dados que estão sendo abertos e sobre a pertinência e relevância desses dados perante as pessoas que vão usar esses dados. Explicou que a estratégia que eles tem utilizado para tentar mostrar para os empresários que os dados abertos pelo governo tem valor econômico e também social é agregar valor aos dados através da Linked Data iniciative. Também pretende, com o projeto de dados linkados fazer com que o próprio governo perceba o valor da abertura de dados. Eu achei surpreendente o engajamento e conhecimento técnico do ministro. Realmente ele sabe do que está falando e entende as soluções que a equipe dele está adotando. Achei genial.

Mais: site Open Data NEXT (Netherland)

O ultimo dos palestrantes que abriram o primeiro dia de Workshop foi o Bob Schloss, da IBM. Por um acaso descobri depois que ele também está envolvido com o grupo que coordena o ManyEyes, da IBM.  e isso faz todo sentido porque ele apresentou três princípios que a pesquisa dele tem como norte para o trabalho com dados abertos que focam justamente no usuário dos dados:
1. Incentivos: muitos dados disponíveis, de várias áreas, de maneira acessível e disponível, para motivar através da transparência o uso e reuso de dados;
2. Confiança e segurança na hora de garantir a qualidade dos dados. Isso significa que o governo precisa assegurar que os dados que está abrindo são realmente os dados que ele utiliza para tomar decisões, precisa garantir a anonimização das pessoas envolvidas com os dados, precisa ter boas leis para garantir que os dados sejam precisos e que os cidadãos não possam criar uma onda de processos contra os governos, indagando sobre a natureza ou qualidade ou especificidade dos dados, (no caso brasileiro, duvido que algum cidadão vá gastar sua vida entrando com um processo contra o governo com relação à dados abertos, mas…)
3. Deixar claro de onde vem os dados pra que a política de uso e reuso não resulte em problemas jurídicos e insegurança com relação às fontes de dados.

Impressões sobre o primeiro painel: soluções palpáveis e tangíveis de governo ou instituições para sociedade (e não o contrário) – preocupações com documentação, técnica, consistência, pertinência e confiabilidade dos dados para mostrar para os prováveis clientes dos governos e entidades (cidadãos?) que abrir dados é benéfico para a sociedade como um todo. A importância de uma legislação focada e consistente em dados abertos e dados linkados, a importância dos governos manterem a mente aberta sobre tudo o que for desafio e não enxergarem como barreira. 

Logo depois o Jim King, inventor do PDF fez uma fala fantástica, que pode ser resumida em uma só frase “pdf não é um formato para dados. É um formato para documentos”. Explicou ainda que as pessoas estão acostumadas a fechar pdfs para trocar documentos pela web, mas que os pdfs podem ser construídos com metadados e, se utilizados de maneira correta, podem ajudar na transparência pública.

Mais: blog dele na adobe, só sobre o pdf

Porque a fala do Jim King foi legal? Porque nos alerta para o uso adequado das ferramentas. Imaginem se tudo o que está hoje em pdf estivesse em documentos word (e em suas várias versões diferentes). Eu não sou lá muito de defender a Adobe, mas não existe outro formato de documento que permita encapsulamento com segurança no controle de versão e imagens vetoriais (sim, o pdf guarda imagens em vetor! é xml!). Se o pdf nao existisse e não fosse tão bem documentado e desenvolvido, o mundo seria do pacote Office. Aí sim eu queria ver a galera reclamando de dados fechados…

O próximo post vai contar mais sobre o workshop. Aguardem o compilado…

O Workshop pôde ser acompanhado pelo Twitter, via hashtag #odw13, pelo canal no irc #odw, além de estar com todos os papers e apresentações disponíveis online no site do Workshop.